Projeto de lei pode liberar elétricos e híbridos para motoristas com CNH B
Deputados aprovam aumento no limite de peso da CNH B para 4.250 kg, beneficiando modelos elétricos e híbridos.
A crescente presença de carros elétricos e híbridos no mercado brasileiro tem levado a uma análise mais detalhada de como a legislação de trânsito pode acompanhar a evolução desses veículos. Modelos elétricos, em especial, são conhecidos por terem um peso superior ao dos carros a combustão, principalmente devido às baterias grandes que necessitam para garantir autonomia. E isso tem gerado um impasse na questão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), especificamente no limite de peso permitido para veículos que podem ser conduzidos com a categoria B.
Atualmente, o limite para veículos com CNH B é de 3.500 kg, mas esse peso tem se mostrado insuficiente para acomodar os veículos elétricos e híbridos mais modernos. Para resolver esse impasse, a Comissão de Viação e Transportes aprovou, recentemente, um projeto que propõe aumentar esse limite para até 4.250 kg. A proposta também se aplica a veículos híbridos com tração ‘permanentemente elétrica’, ou seja, veículos que utilizam o sistema elétrico como principal fonte de propulsão, como os modelos plug-in.
Essa medida, que ainda está em tramitação no Congresso desde março do ano passado, visa permitir que carros elétricos e híbridos de maior porte possam ser legalmente conduzidos com a CNH B, sem exigir a categoria C, que é para veículos pesados. Após ser aprovado na comissão, o projeto passará pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania, antes de seguir para a Câmara dos Deputados e Senado para que possa ser finalmente sancionado.
Quem ganha com a mudança?
Marcas como a Cadillac, que apostaram em modelos menores e mais eficientes em termos de consumo de energia, podem se beneficiar da aprovação dessa proposta. A Cadillac tem investido em modelos como o Lyriq e o Optiq, ambos elétricos, que são menores em comparação aos tradicionais SUVs da marca, como o Escalade. O Escalade elétrico, por exemplo, possui cerca de 4.100 kg, o que excede o limite atual da CNH B.
Outro modelo relevante é a Chevrolet Silverado EV, que pesa cerca de 3.839 kg, um peso que, com a proposta, poderia ser autorizado para CNH B. Atualmente, essa mesma Silverado, em sua versão a combustão, está no limite de peso permitido.
Além disso, marcas como a BYD, com o modelo E-Vali, uma minivan elétrica com 4.200 kg, também têm modelos que poderiam chegar ao Brasil, mas enfrentam restrições devido ao peso. A proposta de aumento no limite de peso da CNH B poderia abrir portas para esses veículos e facilitar a entrada de mais opções no mercado.
Impacto no setor
A aprovação dessa medida traria um grande impacto para o setor automotivo brasileiro, permitindo a chegada de novos modelos elétricos e híbridos, com mais opções para os consumidores e ampliando o mercado desses veículos mais sustentáveis. Além disso, o aumento do limite de peso pode incentivar as marcas a investirem mais em tecnologia para reduzir o impacto ambiental e ampliar a oferta de veículos elétricos e híbridos, alinhando-se às novas exigências globais.
Apesar de o projeto estar em tramitação, é esperado que a proposta tenha um apoio considerável, uma vez que responde à crescente demanda por veículos mais ecológicos e à evolução da tecnologia automotiva. A mudança também atende à necessidade de modernização da legislação, que precisa se adaptar ao novo cenário do mercado de veículos e à transição para uma mobilidade mais sustentável.
Próximos passos
O projeto ainda deve passar por mais etapas antes de se tornar lei, mas sua aprovação inicial já gerou um debate relevante sobre como o setor automotivo e o regulador devem lidar com a chegada dos veículos elétricos e híbridos ao Brasil. A expectativa é que, após a tramitação nas comissões, o texto siga para a Câmara dos Deputados e, em seguida, ao Senado para a aprovação final.
Se aprovado, o novo limite de peso será um passo importante para tornar os veículos elétricos e híbridos mais acessíveis aos motoristas brasileiros, promovendo a transição para uma frota mais verde e alinhada às necessidades do futuro.
Com Informações: A Crítica






